17 de abril: mais um ano de impunidade, mais um ano de luta - Juventude Petista do RN

Semana 13

terça-feira, 17 de abril de 2012

17 de abril: mais um ano de impunidade, mais um ano de luta

Começo a escrever faltando 10 minutos para o término do dia 17 de abril de 2012. Neste dia, ainda há muita gente que acha que não existe luta de classes no Brasil e no mundo, há quem diga que o golpe militar de 1964 foi um ato em defesa da democracia brasileira diante da ameaça de um levante comunista, há quem ouse dizer que o "socialismo real" está sendo implementado no Brasil através dos programas sociais do Governo Federal, há quem faça chacota da luta contra o modelo opressor do agronegócio.

Há 16 anos atrás, a luta de classes no Brasil se revelou da forma mais terrível possível na cidade de Eldorado dos Carajás, estado do Pará. Durante a realização de uma marcha em defesa da reforma agrária, o MST foi brutalmente reprimido pela polícia militar, que assassinou 19 militantes do movimento e deixou dezenas de sem terra feridos. A impunidade permanece tão viva quanto a luta em defesa da reforma agrária.

No Rio Grande do Norte, militantes sem terra já foram assassinados e outros continuam sendo perseguidos pelo latifúndio. Desistir da luta não está na pauta do MST. O dia 17 de abril se tornou um dia de luto, mas principalmente um dia de luta. Nesta terça-feira (17), o movimento paralisou a Ponte de Igapó durante 21 minutos (em homenagem aos 19 trabalhadores sem terra assassinados em Eldorado dos Carajás e aos dois trabalhadores que morreram depois do massacre em decorrência dos ferimentos), realizou um ato contra a impunidade em frente ao Tribunal de Justiça e ocupou a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária do RN.

 17 de abril de 2012 - Natal/RN

Acompanhei a ocupação do INCRA e mais uma vez testemunhei episódios que deveriam ser testemunhados por cada cidadão brasileiro. O processo de produção e distribuição da alimentação da militância, uma criança sem terra sendo erguida pelo pai para amarrar a corda de sustentação da rede (vários militantes dormem em redes durante as ocupações), um militante hasteando a bandeira do MST no teto da sede do INCRA... Episódios que emocionam e revoltam, afinal, o movimento cobra a efetivação de um direito garantido na Constituição de 1988.

17 de abril de 2012 - Natal/RN

A luta continua durante a semana e cabe a cada um de nós escolher nosso lado. Até mesmo governos progressistas devem ser pressionados para que possamos avançar nas conquistas da classe trabalhadora. A reforma agrária é uma bandeira histórica do Partido dos Trabalhadores, mas ainda existe uma maioria conservadora no Congresso Nacional e na própria base de sustentação do governo que lideramos. Partido existe para ter posição, o Partido dos Trabalhadores existe para representar a classe trabalhadora nos governos e parlamentos, para disputar o poder do Estado e transformá-lo, para construir a vitória do socialismo democrático.

Se o campo não planta, a cidade não janta. O campo veio à cidade e convidou a cidade a lutar. Vamos juntos!


Bruno Costa
Secretário Estadual da Juventude do PT/RN

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