Filho de pedreiro e de cozinheira que entrou na UFRN via cotas postou depoimento emocionante nas redes sociais - Juventude Petista do RN

Semana 13

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Filho de pedreiro e de cozinheira que entrou na UFRN via cotas postou depoimento emocionante nas redes sociais

Renato Santos é filho de pedreiro e de cozinheira, tem 17 anos de idade e estuda Letras - Inglês na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Nesta sexta (18/07) ele nos surpreendeu com um depoimento emocionante postado no Facebook. Não deixem de ler, pois a realidade do Renato é a realidade de milhares de jovens de origem pobre, em sua maioria negros, para os quais cursar o ensino superior era apenas um sonho distante, quase impossível de ser realizado. Segue o depoimento na íntegra, com a devida autorização do Renato. 



"Olá! Sou Renato Santos, tenho 17 anos, estudante universitário - de uma das melhores universidades públicas do País, a melhor do Norte-Nordeste -, sou professor e apoio o PT. Ok, nada anormal... - se não considerarmos quem eu sou.

Filho de Pedreiro e de Cozinheira, estudei toda a minha vida em escolas públicas municipais e estaduais, que diga-se de passagem, não eram lá essas coisas, como é de se esperar do Ensino Público Municipal/Estadual. Nelas, conheci o Inglês - e logo decidi aprender. E aprendi - by myself and with the support of a great friend, Zé Milton. E também tenho origem negra e indígena.

Pobre, oriundo de escola pública, negro, índio... Como se não bastasse o acúmulo de minorias, ainda sou gay! (E isso não é uma reclamação, pois é algo que sou muito feliz em ser).

Desde pequeno quis ser professor, mas ser aprovado em uma Universidade Pública sempre pareceu um sonho muito difícil para alguém que estava nas condições que eu vivia, pois sempre ouvia alguma desmotivação (como: “rapaz, vai pensar em trabalhar!”), e pagar universidade não seria um segundo plano para mim - e isso não era escolha. Desistir nunca foi bem meu forte.

Até que surgiu uma tal de Cotas. "GENTE. QUE ABSURDO! Vão me discriminar porque eu sou negro!". Sim, esse foi meu pensamento - influenciado pela falácia que é propagada pela Direita. Mal sabia eu que aquilo seria a salvação da minha carreira acadêmica.

Então, ano de Pré-vestibular, comecei a estudar feito um louco pra passar. Estudando, estudando, estudando e estudando... fiz a prova - no auge dos meus 15 anos. Momento mais difícil: escolher cotas ou não? E então disse SIM!

E veio o resultado! Assistindo a TV, foi uma grande emoção ver meu nome passar naquela lista de aprovados em Letras - Inglês da UFRN. APROVADO! Gritaria, emoção, choro, pulos e cabeça raspada: assim foram os primeiros momentos pós-aprovação. Aí então caí na consciência que deveria ver minha colocação. Entre 10 vagas, ficara em 12º. Pelos meus poucos conhecimentos matemáticos, AQUILO NÃO ERA POSSÍVEL!

Então, como em um flash, veio a minha mente o momento em que eu disse SIM às cotas. Aquele momento em que se firmava a justiça social. Aquele momento em que o peso histórico de ser negro e pobre começava a ser pago! E, demorei desde o começo de 2013 até os dias hodiernos pra compreender que peso histórico é esse.

O peso que o Amarildo conheceu, e que não foi diferente com a Cláudia e com o DG. Que tantos negros conhecem constantemente nas periferias, inclusive na que eu vivo diariamente. Faço parte da classe que começou a ser reconhecida no Governo Lula, e continua sendo no Governo Dilma.

Também faço parte de um povo que começou a ser beneficiado por um tal de Bolsa Família. Também conheço a realidade de não termos médicos, e agora chegaram até estrangeiros pra nos atender. Muitos amigos próximos se beneficiaram com a chegada de IFs na cidade em que eu moro. Também conheço transexuais que se beneficiam com o tratamento hormonal que lhes é oferecido pelo SUS. Lembro da alegria de meus pais a cada aumento de salário. “Que maravilha!”, costumava ouvir da minha mãe.

12 longos anos se passaram, e as melhorias que esse governo trouxe não foram poucas! E tenho certeza que muitas outras estão por vir se continuarmos nesse caminho! Como ser contra um governo que olha pra o povo? Como ser contra um governo que dá voz aos silenciados? Como ser contra um Governo que cumpre seu papel e olha pras minorias? Ainda há muito o que ser feito, e por isso, eu VOTO DILMA!

Além de todos os pontos favoráveis a esse Governo, UMA MULHER NO PODER! Voto Dilma, voto 13, voto para continuar mudando!"






8 comentários:

  1. É muito emocionante ver esse tipo de história. Isso deixa todo militante feliz, pois nos faz ver que a nossa luta está tendo êxito.

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  2. Sou a favor das cotas, apesar de serem um 'remendo' em um grande problema: décadas de falência do ensino público. Enfim, se fez necessário como 'solução' mais rápida para os problemas, já que o nosso forte não é planejamento a longo prazo.

    Porém, caro Renato Santos (se você existe mesmo), a falta de oportunidade e acesso a um ensino de qualidade não é 'exclusividade' dos negros e minorias. Também sou filho de família pobre, sem pai e mãe costureira. Estudei em escola pública e em particulare (mais acessível) quando pude. Sei que não tinha as mesmas chances de quem cursou as melhores escolas e teve reforço a vida toda, mesmo assim fui aprovado para ter acesso a duas graduações na UFRN.

    Teria sido mais fácil com as cotas mas, independente da minha raça, só acharia justo se elas fossem SOCIAIS. Apesar de todas as estatísticas (amplamente questionáveis), pobre é pobre sendo branco, preto, albino.. Nenhum deles terá dinheiro para ter acesso ao melhor. Ou você acha justo seu amigo branco e pobre ter ficado de fora?

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    1. Há uma engano em dizer que as cotas são apenas para raça/etnia. Na lei de 2013 existe cota para estudantes oriundos de escola pública e também com baixa renda, além da raça/etnia. Dê uma olhada na distribuição de cotas.

      http://www.portal.ufpa.br/imprensa/noticia.php?cod=6556

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  3. Então, nesse caso, a justiça social foi feita por ele ficar com a vaga de outro aluno que tirou a nota maior que a dele?

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    1. Imagina um concurso onde há 40 vagas, e cinco não pode ser disputada por vc. Certo? Sobram 35, vc que teve condições de estudar em boas escolas e se acha tão bom não ficou entre os 35, de quem é a culpa? Agora imagina vc que estudou numa escola fudida e ficou entre os 5, vc é um aproveitador? pense um pouco cara, deixa de ser babaca.

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  4. Acho que esse tema das cotas já é questão antiga. Acho que os números não revelam uma outra face da moeda: a qualidade das pessoas que estão ingressando nas universidades federais. Como universitário e professor, tive a oportunidade de analisar muitos textos acadêmicos de pessoas vindas dessa nova geração de universitários e, sinceramente, posso afirmar que o prognóstico não é nada animador. Os números não mentem, mas também não revelam tudo!

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  5. Interessante .... A única questão que eu fico me perguntando é ... Quantos "Renatos" existem. É incrível como o povo brasileiro se anima com apenas um "confeito". Diante de milhares de pessoas que não tem condições de pagar uma escola de qualidade (já que a pública na presta para nada) inventam essa história de cota.

    Na minha opinião cota seria uma boa saída como uma solução paliativa, ou seja, enquanto tomamos conta dos nosso país e das pessoas que não tem condições igualitárias, vamos fazer sim a cota. Mas com o objetivo de dar as mesma condições de chances de alguém da escola publica.

    No entanto, o que acontece é isso ..... Eu to pouco me importando com os Joãos, Josés, Franciscos, Pedros, Marias, Joanas, Marcos, Anas ..... e ai vai ... Contando que poucos "Renatos" consigam uma vaga. Ou seja, roubam, roubam, rroubam a todos .. depois escolher alguns e esta tudo bem.

    O sistema de cotas eterna (não de uma forma paliativa) é a própria autodeclaração de incompetência que um governo pode dar. Como não quero melhorá o ensino publico (que ai sim, todos teriam acesso e não apenas alguns) vamos colocar cota. Como não quero melhorar a vida das pessoas (dando oportunidade para que todos sejam sustentado pelo seu proprio trabalho) vamos dar bolsa familia (que diga-se de passagem é a compra de votos a nível nacional de forma legal).

    Para finalizar, não tenho nada contra Renato, pois nem sei quem é, mas o mesmo governo que deu essa oportunidade para um ... tira a oportunidades de milhares .....

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  6. As escolas privadas estão tão ruins quanto as públicas...um monte de babacas brincando de ensinar.N a realidade os professores de escola privada são tão sem compromisso quanto a pública.A escola virou negócio ,para os donos o que importa são números ...quanto mais alunos ,mais dinheiro.Acho impossível uma sala com 50 alunos ter o mesmo rendimento que uma sala de 25 alunos.Então os donos pegam bolsistas,estagiários pessoas sem preparo nenhum e a sociedade fica sendo enganada ,pagando uma mensalidade absurda por uma escola sem QUALIDADE !!!

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