Dilma presidenta, Fátima senadora e Robinson governador - Juventude Petista do RN

Semana 13

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Dilma presidenta, Fátima senadora e Robinson governador

Dilma presidenta, Fátima senadora e Robinson governador

por Bruno Costa*

Com o fim da ditadura militar e a gradual redemocratização do Estado brasileiro se inaugura uma nova conjuntura política no Brasil, marcada pela luta contra o neoliberalismo e pela sempre presente disputa de hegemonia do poder estatal.

O Partido dos Trabalhadores (1980), a Central Única dos Trabalhadores (1983) e o MST (1984) são materializações do acúmulo da esquerda brasileira, que virá a conquistar o governo central em 2002 com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após sucessivas derrotas eleitorais, o que não significou a conquista do poder.

Para eleger e reeleger Lula presidente, para eleger a presidenta Dilma (PT) em 2010, bem como para construir a necessária maioria parlamentar no Congresso Nacional, sem a qual se torna impossível governar no sistema presidencialista de coalizão, o PT adotou uma política conservadora de alianças, a chamada política de conciliação de classes.

O PT rebaixou seu programa, descaracterizou-se politicamente e ainda assim conseguiu frear o neoliberalismo; eliminar a dependência do FMI; fortalecer blocos regionais progressistas como o MERCOSUL e a UNASUL; construir um bloco que busca enfraquecer o imperialismo euro-norte-americano em busca de um mundo multipolar através dos BRICS; fortalecer o papel do Estado no desenvolvimento econômico e social; enfrentar a crise econômica internacional sem promover desemprego e redução de salários; expandir como nunca o acesso ao ensino superior público; aplicar uma política de valorização real do salário mínimo; destinar 75% dos royalties do pré-sal para a educação e 25% para a saúde; vincular 10% do PIB à educação através do PNE; inserir estudantes de origem popular no ensino superior através da expansão das universidades, dos institutos federais, da Lei de Cotas, do PROUNI e do FIES; transformar os pontos de cultura em política de Estado; ampliar o acesso da população ao atendimento médico via Mais Médicos; dentre outras iniciativas extremamente importantes que resultaram na formação de uma nova classe trabalhadora e de novas gerações de cidadãos e cidadãs, com muito mais consciência de seus direitos.

A citada política conservadora de alianças é difícil de ser digerida até mesmo pelos militantes socialistas do PT, sendo ainda fortemente criticada por outros partidos de esquerda como PSTU e PSOL. O PSOL, entretanto, elegeu o prefeito de Macapá e está governando a capital do Amapá seguindo o mesmo caminho trilhado pelo PT. A coligação que elegeu o candidato do PSOL era composta pelo PSOL, PCB, PV, PPS, PRTB, PMN e PTC. Para governar o município após a vitória nas urnas se fez necessário ampliar ainda mais o leque de alianças, em busca de maioria para aprovação de projetos na Câmara Municipal.

Logicamente é difícil para qualquer militante do PT ver o seu partido ao lado do PMDB de Sarney e do PTB de Collor; assim como deve ser difícil para qualquer militante do PSOL ver o seu partido ao lado do PPS de Roberto Freire, do PRTB de Levy Fidelix, do PMN de Jaqueline Roriz e do PTC de Agaciel Maia; assim como será difícil para o PSTU governar algum município importante sem recorrer a alianças conservadoras.

Mas qual seria a alternativa para os partidos de esquerda elegerem seus candidatos e conseguirem governar municípios, estados e país sem alianças conservadoras? Somente com uma frente de massas fortemente organizada e permanentemente mobilizada para que a maioria conservadora presente no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas e nas câmaras municipais cedesse à pressão popular. Aliás, numa conjuntura assim, com uma frente de massas fortemente organizada e permanentemente mobilizada, as possibilidades seriam múltiplas e a vitória da esquerda seria inevitável, caso não fosse evitada por um novo golpe militar. Construir essa frente de massas deve ser, portanto, a principal tarefa dos partidos de esquerda no Brasil, o que não deve servir de pretexto para abandonar a disputa da institucionalidade, sem a qual o Brasil continuaria entregue ao neoliberalismo, ao FMI e à aliança imperialista euro-norte-americana; assim como a disputa da institucionalidade não deve servir de pretexto, como tem servido ultimamente, ao abandono da luta popular.

Como não deve servir de pretexto, a militância do PT potiguar sempre esteve nas ruas, mas também sempre buscou eleger vereadores, prefeitos, deputados estaduais, deputados federais, governador e senadores. Para tanto, diversas vezes fez alianças consideradas contraditórias, como a recente aliança com o PSD para eleger a primeira senadora de origem popular e petista no Rio Grande do Norte, a companheira Fátima Bezerra. A eleição de Fátima senadora significa elevar o PT (e portanto a esquerda potiguar) a outro patamar de disputa em nosso estado, bem como ampliar a presença da esquerda no Senado Federal para impulsionar o segundo mandato da presidenta Dilma no caminho da reforma agrária, da reforma urbana, da reforma tributária com taxação de grandes fortunas, da democratização da comunicação e da auditoria cidadã da dívida pública. A parceria política com o PSD está sendo muito importante para transformarmos o sonho de eleger a primeira senadora do PT no Rio Grande do Norte em realidade. Seria praticamente impossível enfrentar o aparato econômico concentrado na candidatura adversária sem dialogar com outros setores da sociedade que geralmente não se sentem representados pelo campo tradicional da esquerda. 

Mas não queremos apenas eleger Fátima senadora e Dilma presidenta, queremos também eleger aquele que, mesmo sendo oriundo de uma tradição política bem distinta da tradição petista, teve a ousadia de caminhar ao nosso lado para disputar o governo estadual, enfrentando um acordão que talvez represente a maior recomposição oligárquica da história recente do Rio Grande do Norte. Não temos apenas uma aliança cartorial com o PSD, temos compromisso com a eleição de Robinson Faria governador, tanto para derrotar aqueles que mandam e desmandam no Rio Grande do Norte há décadas, como para disputar os rumos do futuro governo estadual.

Robinson (PSD) será eleito governador por uma aliança que agrega partidos como PT e PCdoB, partidos que têm condições de disputar os rumos do futuro governo, de defender uma plataforma de políticas públicas para a juventude capaz de enfrentar o extermínio da juventude pobre e negra, de defender a democratização da gestão através de políticas como o orçamento participativo, de lutar contra a criminalização dos movimentos sociais no interior do governo. Já Henrique (PMDB), caso fosse eleito governador, seria eleito por uma aliança que integra partidos como PSDB e DEM, o que por si só já deixa claro que seria um governo impermeável aos anseios populares, intransigente na defesa dos interesses das oligarquias locais. Estamos diante da possibilidade de um governo em disputa e de um governo indisputável.

Além disso, é inconcebível o poder que o PMDB acumula nacionalmente, contendo as mudanças mais profundas e necessárias para a democratização do Estado brasileiro, sendo aliado do projeto nacional liderado pelo PT apenas quando julga conveniente, opondo-se à Constituinte Exclusiva e Soberana para reforma do sistema político. Para reduzir esse poder no plano nacional é necessário miná-lo em cada estado da federação, inclusive no Rio Grande do Norte. Somente a candidatura de Robinson Faria (PSD), com o apoio do PT e do PCdoB, poderá derrotar o PMDB nas eleições de 2014 no RN. Numa eleição que pode ser definida ainda no primeiro turno, o realismo deve se sobrepor ao romantismo, pois o voto romântico pode ser responsável pela vitória eleitoral do projeto mais conservador.

É por essas e outras que nenhum purismo ideológico nos impedirá de defender a reeleição de Dilma presidenta, a eleição de Fátima senadora e a eleição de Robinson governador. Não negamos nossas contradições nem tampouco nos omitimos na defesa do projeto que, nas palavras de Frei Betto, livrou da miséria 36 milhões de brasileiros e brasileiras. Não negamos nossas contradições nem tampouco nos omitimos na defesa do projeto que, nas palavras de Leonardo Boff, revolucionou pacificamente a vida do povo brasileiro.  

Eu voto 13 para presidenta, 131 para senadora e 55 para governador, por mais avanços e conquistas para o povo brasileiro e para o povo potiguar. Nas ruas e nas urnas a juventude faz a diferença!


* Bruno Costa é Secretário Estadual da Juventude do PT no Rio Grande do Norte.

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