Direção estadual da JPT/RN aprova resolução repudiando indicação de Kátia Abreu para Ministério da Agricultura - Juventude Petista do RN

Semana 13

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Direção estadual da JPT/RN aprova resolução repudiando indicação de Kátia Abreu para Ministério da Agricultura


Resolução da Direção Estadual da JPT/RN
26/11/2014


Nos últimos dias a esquerda e os setores mais progressistas da sociedade brasileira foram surpreendidos com a possibilidade da senadora Kátia Abreu, do PMDB (ex-PFL), ser convidada pela presidenta Dilma Rousseff para assumir o Ministério da Agricultura.
O assunto foi amplamente comentado na imprensa nacional, seja na grande mídia empresarial ou na blogosfera progressista, indignando os movimentos sociais, a militância do Partido dos Trabalhadores e milhares de corações valentes que espontaneamente ocuparam as ruas contra o retrocesso neoliberal e em defesa da reeleição da presidenta Dilma durante o segundo turno das eleições presidenciais.
Segundo a grande mídia empresarial a provável escolha não gera consenso sequer no PDMB, atual partido da ruralista. Caso a informação proceda, a escolha do que há de mais conservador para assumir o Ministério do Agronegócio seria responsabilidade quase exclusiva da presidenta Dilma, o que torna o quase fato ainda mais estarrecedor.
A resolução aprovada pela Executiva Nacional do PT em 03 de novembro de 2014 apontou um giro histórico na tática e na estratégia adotada pelo partido, o que necessariamente deveria repercutir no interior do governo de conciliação de classes que o PT lidera.
Para além de reafirmar as reivindicações históricas da classe trabalhadora brasileira com foco na reforma política e na democratização da mídia, o documento aprovado reconheceu a necessidade de construção de uma frente de esquerda, capaz de superar nas ruas a resistência conservadora presente no Congresso Nacional e no próprio governo de coalizão.
Entretanto, as primeiras sinalizações do governo Dilma se revelam completamente divorciadas da resolução petista, especialmente quando a possibilidade da presidenta Dilma convidar uma das principais inimigas da reforma agrária para o comando da política agrícola tende a se concretizar no futuro próximo.
A conjuntura nacional e a correlação de forças no parlamento brasileiro deixam claro que é necessário um novo modelo de governabilidade para avançar nas reformas democratizantes, menos centrado na coalizão conservadora no interior do Congresso Nacional (responsável pela demasiada repartição do poder governamental e pela AP 470) em benefício da mobilização e do poder popular.
Sendo assim, a juventude petista do Rio Grande do Norte manifesta total repúdio à possibilidade de Kátia Abreu ser a futura Ministra da Agricultura do segundo mandato da presidenta Dilma, não por desprezar a necessidade do governo dialogar com setores conservadores da sociedade (a exemplo da bancada ruralista), mas sim por entender que a materialização da escolha seria um ataque violento contra a esquerda e os movimentos sociais brasileiros, especialmente contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, com quem pretendemos compor uma frente de esquerda para impulsionar nas ruas o quarto governo liderado pelo PT.
Não bastasse ser a presidenta da CNA e líder da bancada ruralista no Congresso Nacional, Kátia Abreu se enquadra no setor mais conservador e atrasado do empresariado brasileiro, portadora da herança cultural da Casa Grande e inimiga declarada dos governos progressistas da América Latina que, segunda ela, caminham em direção ao abismo socialista.
Sob pena de transformar a resolução da Executiva Nacional do PT aprovada no início de novembro em obra de ficção, a direção nacional da Juventude do PT e a direção nacional do PT devem expressar nítida posição contrária à indicação da senadora Kátia Abreu para assumir o Ministério da Agricultura, inaugurando um novo período onde a posição e a prática partidária não se confundam com a posição e a prática governamental.
Por fim, reiteramos a necessidade de construção de uma frente de esquerda, capaz de travar a disputa de hegemonia política e cultural no interior da sociedade brasileira, mantendo vivo o projeto de um Brasil socialista e democrático e o sonho da unidade latino-americana.

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