JUVENTUDE, PROTAGONISMO E LULA LIVRE - Juventude Petista do RN

Semana 13

quarta-feira, 1 de maio de 2019

JUVENTUDE, PROTAGONISMO E LULA LIVRE

A União Nacional dos Estudantes é um instrumento de luta histórico e importantíssimo, tanto no passado como nos dias de hoje, mas é preciso sair da sua bolha e falar para além da universidade (pública). A UNE já não cumpre seu papel com tanta efetividade, como já ocorreu em tempos mais diversos, como na ditadura. É preciso conversar com a juventude, a ponto dela entender, que é necessário não se conter com pouco. 

Essa conversa, com tom de chamamento ou mesmo de convocação, deve acontecer para além da universidade pública. Claro, é preciso defender a universidade pública, de qualidade e gratuita, mas existe uma juventude que chega na universidade privada pelo ProUni, FIES, como muita dificuldade, que se quer conhecem a UNE, entrando e em contato direto e até se referenciando naquelas e  naqueles que tratam a educação como mercadoria.

E há também aquela (juventude) , que  não chegou à Universidade ou não concluiu o ensino médio, que não tem mínimo de conhecimento sobre as retiradas de direitos. E de um modo geral, para todas as forças, O quê as entidades estudantis têm feito pra conversar com essa juventude? Processo para tiragem de delegados ? Congresso com taxas elevadas ?

Lógico, que defendemos o movimento estudantil organizado, mas que tipo de processos nós estamos construindo, quando hoje mesmo sabemos quem vai continuar tocando uma entidade como UNE, antes mesmo de seu congresso de julho acontecer  ? Que tipo de diálogo nós estamos tendo com a juventude periférica, ou advindos do campo e seca, como a juventude trabalhadora, como Marielle e o próprio Lula ?

Hoje pouquíssimos jovens têm noção do debate da farsa que é  Reforma da Previdência, e quanto ela afetará a juventude, sobretudo a juventude rural, preta e periférica, que está ainda em minoria nas universidades ?  Um debate que  infelizmente apenas permeia apenas as academias e os sindicatos, já fragilizados pela fim do imposto sindical, da Reforma Trabalhista.  Quantos jovens  sabem que a "Nova Previdência", que já nasce velha,  trará efeitos catastróficos não só daqui à 30 ou 40 anos, quando formos requerer aposentadoria e ter que passar mais 20 anos pra conseguir ganhar o salário integral da aposentadoria, mas sim a partir do momento que essa reforma, mentirosa passar ?

Reforma que por sinal, é necessário pontuar aqui, é feita exclusivamente para agradar o capital financeiro e gerar mais desigualdade, tendo o banqueiro Paulo Guedes, como seu criador, inspirado pelo desastre do sistema de capitalização da previdência no Chile, durante a ditadura sanguinária de Pinochet.

Os redatores deste texto, que apesar de jovens pretos nunca passarem fome,  em suas casas, tiveram avós que nunca pararam de produzir sua renda de quintal, um com ajuda do trabalho de sua mãe, sempre  como professora. Outro com o avô era aposentado rural, tinha sua tia com trabalhadora informal de atividade doméstica e logo após a morte do seu avô, sua avó foi beneficiada pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC), que passará a ser 400 reais, para aqueles que se aposentarem com menos de 70 anos.

Não só conhecem, como vêm dessa  realidade, sabem o quanto uma aposentadoria de um salário mínimo em uma casa, garante com que seus filhos continuem em casa, vão à escola e se distanciem do trabalho infantil e de ser mais uma vítima do tráfico. Mas só tiveram contato com a organicidade das lutas, dentro de um ambiente acadêmico.

Todas as conquistas adquiridas até ontem foram resultados de mais de anos de luta e de organização de juventudes, como a própria UNE, as juventudes partidárias, até mesmo pastorais católicas e juventudes rurais e periféricas, naquele momento da ditadura e pós ditadura se organizaram resultando na eleição de um operário para a presidência da república, onde se teve acesso a direitos, o Brasil saiu do mapa da fome e a educação superior de qualidade  alcançou níveis jamais vistos no  Brasil.

Esses feitos exigiram uma tremenda organização e conversas com as bases de juventude, das bases e para as bases de juventude.

Hoje, cobra-se muito o protagonismo da juventude organizada  no movimento estudantil e na própria UNE ou nas juventudes partidárias,  muitas vezes tratando-as como setor de mobilização de partido, mas precisamos mudar a forma. A juventude não quer ser "terceirizada" a UNE não deve ser " terceirizada ", convidados a participarem do debate quando for conveniente a  A ou B, a juventude quer ser ouvida, quer debater  política com qualidade, seja na academia ou seja nos guetos e nas roças. A juventude que tem voz, quer falar com aquelas e aqueles e para aquelas e aqueles que têm a voz silenciada. Mas sem mudar a fórmula, sem mudar a pegada de forças e a postura das entidades, isso será impossível.

É possível defender uma UNE que dialogue de fato com os estudantes, com as periferias, com o rural, que defenda a liberdade do companheiro Lula, responsável pela política que colocou milhares de filhas e filhos da classe trabalhadora nos bancos de uma universidade, é preciso defender uma UNE mais combativa e menos figurativa. Que seu congresso não seja um encontro de cartas marcadas e seus eventos, não cobrem valores que impossibilitam a participação dos estudantes pobres que atravessam o país,  com as maiores adversidades.

É preciso uma UNE que fale todos os dias que a reforma trabalhista, que foi aprovada no ano passado não trouxe benefícios, pelo contrário, sucateou a qualidade de trabalho, colocou o Brasil no mapa da fome e miséria, além de de não diminuir o desemprego brasileiro. E quando se fala de trabalho e negritude, a coisa ainda consegue piorar, porque além de piorar a qualidade de trabalho dessas pessoas, ainda os colocam numa situação bem pior ou na informalidade.

É preciso uma UNE que não reproduza Lgbtofobia em seus eventos, que não só converse com a população transexual nas ruas, bem como der espaço para ocupar cadeiras para além das cadeiras de gênero ou diversidade sexual. Que tenha travestis e homens trans em todos os espaço e até mesmo em suas diretorias e presidência. Porque afinal, como falar de reformas do trabalho previdência, que claro, são debates essenciais, mas com que se quer consegue chegar ao mercado de trabalho ? Com quem só vive até os 35 anos no Brasil ?

É preciso falar à juventude e não só a juventude organizada, sobre assassinato político de Marielle e a luta por justiça, que a prisão do companheiro Lula é ilegal, que Golpe de 2016 contra a Presidenta Dilma, são desdobramentos da investida do imperialismo americano na América Latina, impedindo o Lula de participar das eleições para eleger um governo que não defende a soberania nacional, através de fake news, e que pretende entregar o Brasil aos Estados Unidos. Falar também que a reforma trabalhista e da previdência são acontecimentos tramados para sucatear e as nossas vidas, mas minimamente para aqueles que conseguem estar inseridos no mercado de trabalho.

 Se não existir uma UNE combativa, que leve os estudantes às ruas, que lembre das nossas e dos nossos líderes, que mostre o processo para a autonomia da juventude, e sem medo daquelas e daqueles que os julgarão embasados fakenews, se isso não for feito, a UNE e essa juventude para além da UNE, estarão inertes à luta do povo.

É preciso usar a voz da UNE, que apesar dos pesares, ainda é a voz dos estudantes. Para dizer que não se pode mais esperar, é necessário ir às ruas, aos roçados, às praças, às periferias, formar a juventude para que estejam nas trincheiras da luta, percebendo que não estão sozinhos, acordando não gigantes, mas unidos, articulados e prontos para vencer o facismo.

Tenhamos esperança e acreditemos no que lutamos!

Autores,
Gabriel Antônio (@dominionordeste) - Coordenador Estadual da Juventude da Articulação de Esquerda e Membro da Secretaria Estudual da Juventude do Partido dos Trabalhadores; e
João Lucas (@joaonlucas) - diretor de Formação Política da União Estadual dos Estudantes-UEE/RN e Coordenador da Juventude da Articulação de Esquerda.

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