LULA LIVRE JÁ! - Juventude Petista do RN

Semana 13

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

LULA LIVRE JÁ!


A Operação Lava Jato é um dos pilares do golpe de 2016, não só porque foi uma das articuladoras da deposição da presidenta Dilma e a responsável pela prisão política de Lula, mas, sim, porque esses dois elementos foram e são centrais para estabelecer um projeto de país que retira os direitos da classe trabalhadora, coloca as Forças Armadas no centro da vida política brasileira e nos subordina aos interesses dos Estados Unidos. As últimas revelações do The Intercept confirmam isto. A atuação de Sérgio Moro, articulando e coordenando as acusações do ex-presidente, tinha como os únicos motivos a retirada de Lula da disputa presidencial de 2018 e da luta política direta em nosso país para que o projeto do golpismo pudesse vingar.  
Cabe-nos, pois, fazer um breve resgate de memória histórica para que possamos esclarecer a importância do papel político de Lula no contexto atual. Quando costumamos debater sobre a Ditadura Empresarial-Militar brasileira muito falamos sobre a luta armada e sobre a luta institucional via MDB. Entretanto, um exercício que pouco fazemos – seja porque não costumamos fazer balanço histórico, seja porque insistimos em repetir os erros estratégicos e táticos da nossa luta política – é rememorar como conseguimos derrotar a ditadura brasileira. Entre as várias táticas de luta armada e da própria tentativa de construção de frente ampla com setores da burguesia nacional, o que conseguiu acumular forças para a derrota do regime foi a luta de massas, representada pelas grandes mobilizações estudantis e as greves de trabalhadores, com destaque para as greves do ABC que, por sua vez, conseguiram mobilizar e cruzar os braços milhares de trabalhadores na região paulista. Aqui, uma figura popular, vinda do interior do interior do Nordeste brasileiro, se destacou por liderar e articular com maestria as greves: Luiz Inácio Lula da Silva.
Lula, a partir de então, conseguiu se colocar para o conjunto do povo brasileiro como a maior liderança popular da história do nosso país. Prova disto é a sua capacidade de liderar as massas não só por meio das greves na década de 1980, mas por ter conseguido terminar um governo com mais de 80% de aprovação e de, mesmo preso e com uma campanha intensa de criminalização ao nosso partido e à sua vida política, ter sido o candidato favorito pelo nosso povo ao pleito eleitoral de 2018.
A Lava Jato e a coalizão golpista sabem que para se sustentar no governo é fundamental, dentre outros aspectos, ter uma liderança que consiga aglutinar as massas. Portanto, eles sabem também que a fragilidade do projeto que está posto é a possibilidade de Lula, como liderança de massas, fazer o contraponto a Bolsonaro, organizando nas ruas, nas praças e bairros a resistência à reforma da previdência e ao desmonte da educação. Vejamos: se Lula é liberto, a luta contra o governo entra em outro patamar, uma vez que há uma liderança do nosso campo democrático popular (que por sinal é a única atualmente) com grande inserção nas massas. Lula põe em cheque direto a liderança de Bolsonaro e o projeto neoliberal conservador em curso. Lula, portanto, é a possibilidade concreta – gostem alguns ou não – de forjarmos uma saída democrática popular à crise instaurada. Por isso, a campanha pela libertação de Lula aponta para a derrota do governo Bolsonaro e sinaliza, a depender do nível de consciência que consigamos estar, para um projeto de país de cunho popular, capaz de colocar como central as reformas estruturais que precisamos.
            Nesse sentido, é papel da UNE e do movimento estudantil colocar a bandeira Lula Livre como central para esse período, vinculando-a aos cortes orçamentários, à piora das condições de vida da classe trabalhadora e à defesa da autonomia das nossas universidades. Não podemos mais nos iludir com as táticas que põe como central a formação de uma frente ampla com os ditos “setores democráticos” que, inclusive, compõem a agenda de retirada de direitos da classe trabalhadora e do nosso povo. Não nos esqueçamos que, historicamente, essas táticas equivocadas só serviram à desarticulação da luta de massas. O núcleo duro da resistência ao governo tem que ser o bloco popular e nesse bloco Lula cumpre uma função crucial de liderança. Por isso, é urgentemente necessário que a entidade volte a assumir o dia-a-dia das universidades públicas e privadas, retomando a primavera estudantil, construindo os comitês Lula Livre, ao passo em que engajamos a classe trabalhadora nesse processo e acumulamos forças para a greve geral e para a derrota do golpismo.

Ana Flávia Lira é militante do Partido dos Trabalhadores e estudante de Direito.

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